domingo, 26 de junho de 2011

Pro Dia Nascer Feliz.


Já dizia Cazuza: "Estamos meu bem por um triz (...) Pro dia nascer feliz.

O documentário Pro Dia Nascer Feliz de direção de João Jardim, fora um daqueles que eu relutei para vê-lo, o título não parecia-me "assistível" por assim dizer, mas algo me chamou a atenção em meio a quantidade estupefata de informações da internet num sábado a noite.

Mal sabia que este documentário retrataria um pedaço de mim, não como o objetivo central que analisa as observações de adolescentes dentro do sistema educacional brasileiro, focados em três classes sociais distintas, mas sim o de um ator social que como dizia Amanda Gurgel: "Que só quem está em sala de aula, pegando 3 ônibus por dia é que pode falar com propriedade sobre isso." Pois é, EDUCAÇÃO, uma palavra que aos meus olhos parece sem solução pelo menos a curto prazo, mas de tamanha necessidade de debate, de buscar compreensão para que a longo prazo seja tangível encontrar uma saída.

Até a década de 60, família e escola, eram papéis muito bem demarcadas dentro da sociedade, a Revolução Feminista, (cito ela porque acredito que fora o agente de maior mudança, deixando claro que foi um dos elementos) demonstrou que as mães cansaram de ser só mães, desencadeando ao longo de um processo, os novos modelos sociais e psicológicos que mudaram e ainda estão em pleno século XXI.
Parece-me que o problema é muito mais estrutural da sociedade que em meio a essas mudanças deixou algo para trás da qual sente falta nos dias de hoje, como ferramenta fundamental para tapar uma ferida que atinge a todos.
Concordo com o psicanalista Joel Birman, que esboça, a necessidade de saber conviver com a diferença, com aquilo que não tem simplesmente nada em comum comigo, é necessário receber o outro conosco com uma forma marcada pela ética da hospitalidade, saber acolher não obstante o fato de que ele seja inteiramente diferente de você, mas sim buscar neste uma marca de humanidade de reconhece-lá, no "OUTRO".

Em um mundo tão globalizado, pós dissolução dos estados nações, é possível restaurar formas de soberania, não aquelas ligados ao Estado ou algum tipo de poder controlados, mas sim restituir a ideia de autoridade hoje, que em algum momento de nossa história se perdeu, e ao meu ver parece-me uma ferramenta que somada a outras poderia trazer o antídoto para a sociedade e a educação em que vivemos.

Fala de uma aluna do documentário Pro Dia Nascer Feliz.
"As vezes eu acho que é um pouco violento esse jeito que se vive no mundo. E as vezes as pessoas tem que deixar de lado aquilo que acreditam para se conservarem vivas assim..."

Formato: RMVB
Tamanho: 250 MB
Duração: 88 minutos
Direção: João Jardim

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