domingo, 24 de julho de 2011

Maus

Conheci o título por intermédio do Professor José Antônio Vasconcelos que estuda a Memória Histórica e Discurso Literário, englobando a questão do Holocausto, o que ele faz, diga-se de passagem, muito bem, como ele mesmo citou, quando se trata de um fato vivido e realmente fatídico isso trás para o leitor o fator da emoção em saber que o que se lê não surgiu puramente da imaginação, mas da memória de algo que fora vivido, logo é concreto.

Maus é inovador, além de ser a primeira Graphic Novel tratando a questão do Holocausto, também é dissemelhante na interpretação dos personagens, uma vez que os nazistas são apresentados como gatos, os poloneses como porcos e os judeus como ratos, relação esta que se apresentava pela própria propaganda nazista alemã.

Além do emocionante relado de Vladek sobre os anos nos campos de concentração para Art Spiegelmen que é seu filho e autor, o livro apresenta as inquietações de Vladek no “presente vivido”, que se apresentam como marcas psicológicas dos anos em que o judeu polonês passou nos campos, e a forma com que os personagens vão lidando com essas cicatrizes.

Certamente para a História, a questão de memória se faz muito delicada para os historiadores uma vez que livros como Maus, A Noite de Elie Wiesel (Já postado no blog), trazem a tona relatos de sobreviventes e estes podem trazer imprecisões, mas também sabemos que cabe aos interessados saber aproveitar o que esses relatos trazem de verdadeiro, relatos esses que conforme esboçado pelo Professor Vasconcelos, sem o aval da História não poderiam existir.


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